O Rosto que precede o sonho

Posted: February 16, 2013 in Resenha

O_ROSTO_QUE_PRECEDE_O_SONHO_1337646862PPosso dizer que “O rosto que precede o sonho” foi uma ótima escolha de livro pra iniciar o ano. É o tipo de drama simples e envolvente que me fez devorar as páginas em instantes.

A história é narrada em terceira pessoa e conta a história de Tomas Ventura. Um compositor que após certos eventos posteriores à morte de seus pais recusa vários trabalhos de composição para filmes e apenas continua vivendo em sua casa em um barco. Porém, após conhecer a fotógrafa Aurora (inicialmente apelidade de “menina dos olhos cor de mel”, uma vez que ele sequer sabia seu nome), decide se arriscar em uma proposta ambiciosa proposta por um diretor de Hollywood.

Uma das coisas que me agradou no livro é a forma como foi narrada o relacionamento entre os protagonistas. A descrição das cenas foi rica o suficiente pra me fazer ver as cores das borboletas de Aurora. O cheiro salino do mar. O som do refúgio natural de Tomas… Quando um livro não apenas conta uma história mas te faz sentir-se dentro dela. É algo pra se destacar.

A história em si é curta. O livro pode ser lido tranquilamente em um fim de semffq4oc0fuyydzyl8ptwmana. Por se tratar de um drama, obviamente conta com algumas reviravoltas muito interessantes. Eu diria que não é muito difícil um leitor ser levado às lágrimas após lê-lo. Algo que só não aconteceu comigo porque pareço ter um bloqueio às lágrimas em livros(considere que nem Anne Frank ou Liesel Meminger conseguiram a façanha), por mais triste que seja. No entanto, devo admitir, há um certo “aperto no peito”, com determinadas cenas.

No geral, “O rosto que precede o sonho” é uma leitura que acredito que agradará a muitos leitores. Com certeza recomendo para todos aqueles que curtem uma boa história de drama, ou simplesmente, um bom romance.

 

Guardiões – Monique Lavra

Posted: February 4, 2013 in História, Resenha

guardioes“Guardiões” foi um dos últimos livros que comprei em 2012, mas só peguei-o para ler  recentemente. Adquiri no evento “Entre Linhas e Letras” que aconteceu no shopping pátio Paulista.

A história narrada em primeira pessoa por Alice Harker é baseada no clássico de Bram Stoker “Drácula”. Em Guardiões, vemos decendentes de alguns dos personagens de Stoker em uma aventura contra um inimigo oculto: Um vampiro decendente da linhagem de Drácula.

Bem, sou muito fã da história de Stoker. Um romance contemporâneo baseado em um clássico foi realmente algo que chamou minha atenção. No geral, a história se centra entre Alice, decendente de Jonathan e Mia Harker, Christiaan (sim, é com dois “as” mesmo) e Willian. Temos Edwards e Lauren como outros dos descendentes que restaram, no entanto, senti que o papel deles é bem de coadjuvantes mesmo.

A história tem uma gama de aventura e alguns conflitos que me fizeram achá-la bem dinâmica, mas o foco principal é no romance entre Alice e Christiaan, além do conflito pessoal em torno de William. O mistério marcante no livro em que o romance foi baseadi não ocorre tanto em Guardiões. Acredito que pelo fato do foco não ter sido esse. As identidades dos personagens são descobertas já no primeiro terço do livro, enquanto o conflito central com o “vilão” e o treinamento dos Guardiões, sim, este é levado com mais profundidade e a um ritmo bem interessante.

Quanto aos personagens achei Alice uma protagonista muito bacana. O tipo de mulher versátil que faz a história andar. 145O vilão me pareceu até certo ponto ingênuo, talvez pelo seu ego e paixão. Christiaan é o tipo de personagem demasiadamente cauteloso, algumas das crises de culpa dele chegaram a me irritar, mas no geral, eram compreensíveis. Só achei que Edwards e Lauren poderiam ter participado mais da aventura central. Apesar da parte deles ser mais de “planejamento” do que de “ação”. Talvez esse planejamento seja mais mostrado nos próximos volumes.

No geral achei o livro bom. Apesar de fazer parte de uma série de livros que aguardo ansiosamente, não é o tipo de livro que tem sua história interrompida. O principal conflito apresentado é resolvido nesse, o que evita aquele desespero para o próximo volume. Uma leitura que recomendo para quem curte um romance com uma dosagem moderada de aventura.

O Corcunda

Há certo tempo fiz uma sessão nostalgia e assisti novamente a adaptação do Corcunda de Notre Dame da Disney. Após vê-lo, recordei que já tinha visto o livro “perdido” em algum canto aqui de casa. Mas que preferi não lê-lo. Em especial porque na época tinha 12 anos e li o último parágrafo do livro. Achando-o muito “dramático”.

Muitos anos depois após a “sessão nostalgia” decidi dar uma chance ao romance original de Victor Hugo. Antes de mais nada, é importante lembrar que a adaptação da Disney foi direcionada para crianças. Logo ela modificou a história para um perfil mais ao estilo dos contos de fada.

Obviamente, o livro é bem diferente. Escrito em terceira pessoa em meados do século XIX, por Victor Hugo. O Corcunda de Notre Dame é um clássico francês da primeira fase do romantismo. Em uma concepção mais livre, eu o classificaria como um romance trágico.

A história não foca apenas no corcunda sineiro surdo (sim, os sinos o deixaram surdo) Quasímodo (nome que significa “quase formado” ou “semi-formado), mas também na cigana de 16 anos Esmeralda. Além do religioso Claude Frollo e do Capitão Febo, temos alguns coadjuvantes de destaque no livro: o poeta Pierre e o irmão de Esmeralda, Clopin.

O romance se enfoca na beleza estoneante de Esmeralda. Beleza que atrai os olhares apaixonados de Quasímodo, Febo e Frollo. No entanto, o amor do Arcediago se transforma em obsessão, tanto ele quanto Febo consideram a perfeição de Esmeralda como bruxaria. Quasímodo, sabendo que não poderia competir com Febo devido à sua feição horrenda promete proteger Esmeralda dos juízes que querem queimá-la como bruxa. Mesmo causando-lhe grande mágoa, ainda tenta ajudá-la a se encontrar com Febo.

Minha opinião pessoal: Quasímodo é o personagem mais decente de todo o romance. Sério, ele é o único que retêm um amor puro com Esmeralda. E não tenta subjulgá-la. Esmeralda infelizmente se apaixona por Febo, os desmembres da história de amor e obsessão são descobertos somente na leitura.

Infelizmente, a versão que eu li foi uma adaptação escolar, mas a história me chamou a atenção para buscar o exemplar mais próximo do original. É um clássico digno de ter sobrevivido aos séculos. Mas aviso: Esteja pronto para um desmembramento muito distante do que muitos de nós conhecemos pela versão em contos de fadas.

 

capaA Última Nota foi um dos últimos livros que comprei no mês passado. (Piadas à parte, ano passado). Em seu evento de Lançamento em São Paulo.

É um livro em primeira pessoa narrado por Alícia. Uma mulher filha de uma rígida e tradicional família grega residente do Rio de Janeiro. Contrariando às expectativas dos pais, Alícia decide se graduar em música, ao invés de seguir o ramo de restaurantes da família. Como se não bastasse, está noiva de um homem a quem não tem… Ok, ela não ama o cara.

Apesar de tudo, Alícia faz o possível pra manter uma boa relação com sua família e atender as expectatvias de seu “lado grego”. No entanto, tudo vai por água baixo quando após pegar uma das partituras compostas por seu falecido avô (o “renegado” da família), Alícia toca a música da partitura roubada para sua avó, causando a fúria de seu professor no concerto. No entanto, trazendo aplausos sinceros ao final. A plateia pode não ter percebido, mas ela sim: Errara a última nota da música.

Após a apresentação, surge um homem misterioso na vida de Alícia. Alguém que não possui memória alguma além do fato que precisava encontrá-la. Adotado pela avó de Alícia (que não possui boas relações com a família grega) e nomeado pela mesma de Sebastian. Alícia confrontará os valores de sua família e os próprios, pois é a partir daquela última nota. Que ela passa a realmente defender sua ideologia.

Bom, o “resumo pessoal” ficou mais longo do que eu esperava. Em especial por se tratar de um livro que particularmente me tirou o fôlego em seus momentos finais. Vide ao título da postagem. O livro foi escrito por Felipe Colbert ao lado de Lu Piras. Ambos são autores nacionais que admiro desde mais de um livro.

O livro, além de curto, possui também capítulos pequenos, o que é ótimo pra quem não tem muito tempo de ler e não gosta de parar no meio do capítulo. O ritmo inicial do livro é descontraído. Conforme a narração se desenvolve o ritmo começa a ficar mais intenso até que, ao chegar no clímax. Você o devora.

Mais uma leitura que recomendo muitíssimo. A última nota é um livro que trará certa musicalidade ao virar as páginas.79681352256132G.. 41244ce58efb8c5952d12d9285e64eb0

Sociedade das Sombras

Posted: January 7, 2013 in História, Resenha
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ImageSociedade das Sombras é uma coletânea de contos sobrenaturais ou “Dark Fantasy” publicado pela editora Estronho. Foi resultado de um projeto iniciado pela Digital Rio e reuniu 16 autores para a publicação da antologia. 15 autores para cada conto e 1 para escrita do Prefácio.

Bom, pelo fato de ser um livro com muitos autores, é claro que o resultado final é bem heterogêneo. Como toda coletânea que li, houve contos que eu curti muito. Contos realmente assustadores, outros bem cômicos. Por outro lado, houve contos que não me agradaram tanto, talvez por serem alvo de outro público alvo.

Sou muito fã do estilo Dark Fantasy, em especial pelo misto de suspense e terror psicológico que eles conseguem causar. Ou até pela mitologia que apresenta. Por isso, não é de se estranhar que os contos mais “brandos” não serem exatamente o que eu buscava.

Há uma exceção no entanto, um dos motivos de eu ler a coletânea foi por eu ser um grande fã da autora Viviane Fair, que encerra o livro com seu último conto. Autora de Livros como a Trilogia  “A Caçadora”, “Quem precisa de heróis?” e “O Caçado”, o principal gênero abordado em suas histórias é a comédia, e sinceramente, suas histórias são realmente engraçadas. Não sou muito ponderado em risadas. O ônibus e a biblioteca queImage o diga.

No geral considerei o livro bom. Traz algumas histórias que mostram os diversos modos de se escrever histórias sobrenaturais e isso vale muito.

Autores Participantes: Giulia Moon (Prefácio), Adriana Rodrigues, Adriano Siqueira, Alícia Azevedo, Bruno Pereira, Carla Ribeiro, Celly Borges, Fábio Ventura, Gabriel Arruda, Kane Ryu, Karlo Campos, Louise Duarte, Luís Eduardo Matta, Nazarethe Fonseca, Paulo Soriano, Viviane Fair.

Histórias que encantam…

Posted: January 1, 2013 in Descoberta, História

Livros_02“Por que você acredita que livros são encantadores?
– Não são os livros que encantam, são suas histórias…”

Como postagem de ano novo, peço para os leitores pensem um pouco no curto diálogo acima. E pensem no que um simples conjunto de papel recheado de letras representa pra você.
Certa vez, me perguntaram como eu aguentava ler uma quantidade tão exorbitante de livros todo mês.

Para mim, nunca se tratou de “quantos livros eu leio” e sim de “em quais histórias pude mergulhar”. Talvez em um país como o Brasil o gosto literário ainda não seja algo completamente compreensível. A despeito do enorme crescimento de leitores nos últimos anos. Muitos ainda ignoram o quanto um livro pode te prender. Pode te encantar…

Pesquisando um pouco, pude achar de onde surgiu a palavra “encantar”. A descrição abaixo vem do site “origemdapalavra.com.br” (simples, não?)

Do Latim. INCANTARE, “lançar um feitiço contra alguém”, formado por IN-, “em”, mais CANTARE, “cantar”, aqui mais com o sentido de “emitir palavras mágicas”. Acabou mudando um pouco de sentido e passando a significar “maravilhar, seduzir”. Gerou o substantivo “encantamento”.

Tive um leve insight quanto a essa descrição. “Encantar” variou da palavra  “cantar”. Assim como a escrita só foi possível graças à fala. Os romances, sejam ficção ou não. Sejam fantásticos, distopias, clássicos e etc. Nunca foram encantadores por estarem codificados em um livro é a história que os torna especial.

Por que preferir livros então? Bom… Apesar de entrar uma questão pessoal, acredito que o ato de ler será sempre mais envolvente que o ato de assistir. Muitos leitores sentem certa conexão com personagens fantásticos que foram incapazes de livro fantasticosentir ao vê-los em um cinema, por exemplo. Talvez o principal motivo seja por eles estarem em nossa mente, nós os imaginamos e às vezes até discutimos como se eles pudessem responder.

O ato de conhecer, ou de criar uma história nos leva à um estado de imaginação e criatividade que não pode ser subestimado. Através desse ano e dos seguintes. Manterei o “Imerso em Letras” atualizado com as principais histórias que tive contato. Dando opinião se gostei, ou não. Seja em um livro. Em um filme, ou em um jogo. O importante é manter o encanto, ou justificar sua ausência. Acredito que é disso que se trata um blog literário. Debater o encantamento de uma história. Gosto de lembrar que é sempre bom conhecer a opinião daqueles que leem o blog. Afinal, um diálogo sempre é melhor que um monólogo.

E você lembra-se de uma história que conseguiu te encantar tanto a ponto de jamais ser esquecida?

Jogos Vorazes – Suzanne Collins

Posted: December 29, 2012 in Resenha

jogos-vorazesCostumo ser uma pessoa bem chata com best-sellers. Por algum motivo além do que a razão me permite entender costumo esperar a febre de lançamento de um bom best-seller esfriar antes que eu possa comprá-lo. Ok, a parte que inclui o preço dele abaixar também conta.

No entanto, diferente de com “A menina que roubava livros”, Li “Jogos Vorazes” emprestado de uma amiga e… Mal vejo a hora de ter o meu em mãos. Cá entre nós, pessoal, a história é muito boa.

Dando um resumo básico. A história é contada em primeira pessoa por Katniss, habitante de uma região que é divida em 12 distritos e uma Capital. Há certo tempo atrás o território possuía também um 13º distrito. Quando tais distritos se rebelaram contra a Capital. o Poder de guerra superior da mesma os aniquilou e destruiu permanentemente o décimo terceiro distrito. Para lembrar sobre sua soberania perante todos, cada distrito é obrigado a sortear um adolescente como “tributo” para o evento anual conhecido como Jogos Vorazes, um reallity show no qual um menino e uma menina de cada distrito são colocados em uma espécie de “arena” (que inclui desde de desertos até florestas) e devem se enfrentar em isolamento através de uma competição mortal. Os jogos terminam quando apenas um tributo permanece de pé. Ou respirando, o que importa é estar vivo.

Katniss houve a história acima todo o ano. Quando sua irmã menor é sorteada como tributo ela se oferece em seu lugar para participar dos jogos. E é a partir daí que as coisas ficam interessantes…

Bom, no que se refere à história acho que deu pra dar um gostinho, né? Eu realmente gostei muito da narrativa de Suzanne Collins, ela criou uma personagem que consegue levar a narrativa como uma verdadeira competidora, mesmo com a grande sobrecarga emocional sobre a mesma. Acredito que a autora deva ter se inspirado na história dos Estados Unidos, uma vez que em seu período colonial era divido em 13 colônias que deviam prestar contas à “capital”, ou seja a Inglaterra. Mesmo sendo uma distopia, achei interessante esses elementosJogos-Vorazes1 ligados com a história deles. No decorrer do romance somos questionados quanto à um grande sucesso televisivo: os realities show. Katniss acaba se vendo obrigada à fingir uma paixão em relação à o Peeta, o “tributo masculino” de seu distrito. O pior é ver como a sobrevivência no show é capaz de minar uma relação que realmente poderia dar certo. Além de Peeta, Katniss também possui em sua mente seu “talvez mais que amigo” Gale, que ficou no Distrito 12 e costumava ser seu parceiro de caça. Tais conflitos internos e externos tornam o livro surpreendente.

O único porém que encontrei foi justamente a narração em primeira pessoa. Não é a primeira distopia que é narrada em primeira pessoa. No entanto, certas ações com relação aos “patrocinadores” e “idealizadores dos jogos” não ficaram tão claras por estarmos presos a visão de apenas uma personagem. É exatamente por isso que preciso dar crédito ao filme. A adaptação do romance aos cinemas sofreu algumas alterações necessárias, e outras que me pergunto como serão contornadas. Apesar de tudo, no filme podemos nos despreender um pouco mais da visão de Katniss e as questões acima sobre os jogos ficaram mais claras. Acredito que tanto o livro quanto o filme se completaram para criar um verdadeiro fenômeno.

Bom, acho que já falei o suficiente. Pessoal, é um livro que vale a pena ser lido. Estou ansioso para ler sua sequência “Em chamas”. Acredito que devorarei a trilogia em um instante.